Bloqueio a Cuba <br> «esmagado» na ONU

A maioria dos países com assento nas Nações Unidas exigiram, anteontem, o levantamento do bloqueio ilegal imposto há 52 anos pelos EUA a Cuba. Ao lado de Cuba na votação estiveram 188 das 193 nações representadas. Somente os EUA e Israel rejeitaram a resolução apresentada pela ilha socialista à Assembleia Geral. Ilhas Marshal, Palau e Estados Federados da Micronésia abstiveram-se.

Esta é a 23.ª vez consecutiva que a Assembleia Geral das Nações Unidas exige o fim do cerco económico, comercial e financeiro a Cuba. Na apresentação do texto, o ministro dos Negócios Estrangeiros de Havana «denunciou os obstáculos que esta política cruel impõe ao desenvolvimento do país em todos os domínios». De acordo com uma nota enviada aos órgãos de comunicação social pela representação diplomática de Cuba em Portugal, Bruno Rodriguez salientou, ainda, o assédio sem precedentes à actividade bancária-financeira de Cuba, sempre com o único propósito de «provocar a fome, o desespero e o derrubamento do governo».

Segundo a mesma fonte, o responsável pelas relações exteriores de Cuba realçou, também, o carácter extraterritorial do bloqueio e sublinhou que «os danos humanos do bloqueio crescem. Actualmente os cubanos que nasceram sob estas circunstâncias atingem já os 77 por cento. O sofrimento das nossas famílias não pode ser calculado. São muitas as convenções internacionais que proíbem tal boicote, inclusive a de Genebra de 1948 contra o genocídio. Está a ser afectado o exercício dos direitos humanos de um povo inteiro. Está a ser obstaculizado seriamente o desenvolvimento económico do país».

Razão para avançar

Reagindo à votação, a embaixadora de Cuba em Portugal, Johana Tablada de La Torre, salientou que «poucos temas suscitam tanto apoio da comunidade internacional como a legítima reivindicação de Cuba para que os Estados Unidos eliminem o sistema de sanções unilaterais mais abrangente do mundo», e considerou que Washington tem «fracassado em cada tentativa de derrubar um governo que responde aos interesses do povo, para impor outro que responda aos [seus] interesses. Não compreendem que Cuba mudou, que não vamos recuar, que a América Latina mudou e que o mundo está a mudar».

O que não muda «é a política de guerra fria e de abuso [dos EUA] condenada a nível internacional», acrescentou a diplomata, para quem «a continuidade desta injustiça é um delito, um crime, uma violação flagrante do direito internacional, um acto de genocídio que reflecte o desprezo pela opinião internacional e pelo crescente apelo, incluindo dentro dos próprios EUA, para que seja modificada uma política injusta que tem fracassado», insistiu.

Johana Tablada de La Torre lembrou, igualmente, que a rejeição do bloqueio dos EUA a Cuba foi um dos assuntos abordados nos discursos de mais de 50 presidentes, chefes de governo e ministros na Assembleia Geral da ONU, e que numerosos países e organismos especializados das Nações Unidas vincaram a sua posição em cartas enviadas ao secretário-geral, Ban Ki-monn. Por isso, conclui a embaixadora, perante esta agressão Cuba não se detém e avança rumo ao aprofundamento das relações com os restantes países do mundo que aproveitam as novas oportunidades que surgem na nossa economia e as vantagens de trabalharem com um país culto, alegre, valente, hospitaleiro, civilizado, seguro e muito educado que está a dar importantes passos para ter uma sociedade próspera e sustentável.»




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